segunda-feira, 27 de outubro de 2008
A cultura da natureza
Para falar sobre as atividades que ensinam ciências e biologia, o Intercultura entrevistou o biólogo Tiago Dinis, que é professor em escolas da rede pública e particular, e tem 10 anos de experiência.
De cara, ele logo indica as atividades culturais na área: “lá no Ipiranga tem o Museu de Zoologia, que abriu um aquário com diversos animais marinhos e de água doce; no Butantã tem o Instituto Butantã e a própria USP, com os museus de Anatomia, Geociências e os laboratórios e bibliotecas voltadas para as biociências". Tiago também recomenda o Instituto Biológico, perto do Ibirapuera, e dentro do parque destaca o departamento de aves e um viveiro de plantas. Em Interlagos e Itaquera, o professor conta que são realizados trabalhos de educação ambiental nos respectivos SESCs, e que próximo à estação São Judas do metrô tem o Zoológico, o Simba Safari e o Jardim Botânico. Ele cita, ainda, no parque da Água Branca, o Mugeo (museu de geologia com rochas e fósseis) e o aquário, além do instituto de Pesca. Ufa! Tem lugar à beça para aprender ciência se divertindo!
E tem mais. O biólogo conta que na região da Cantareira tem o Horto Florestal e, dentro de suas dependências, o Instituto Florestal com uma biblioteca, os três núcleos do parque da Cantareira, todos com muita Mata Atlântica, Pedra Branca (com uma vista linda da cidade de São Paulo, um museu e várias trilhas, além do lago das carpas), o Núcleo Engordador (com queda d’água e equipamentos de abastecimento de São Paulo), como também o núcleo Águas Claras. "Na região de Santana há, ainda, o Centro de Zoonoses de São Paulo. Na Lapa, a Estação Ciência (foto) também é uma ótima pedida”, acrescenta. E é mesmo. Recentemente estive na Estação Ciência e me diverti muito com as bolhas de sabão usadas para ensinar geometria e com a água produzindo eletricidade. Também curti o pequeno planetário: a gente fica deitado no chão e aprende sobre os corpos celestes por meio do guia.
Isso tudo sem contar os parques e a represa Billings, que, segundo Tiago, são atrativos para biólogos e afins. E para quem mora nas cidades próximas, também tem mais dicas: os aquários de Guarujá e Santos.
Apesar de citar esta listona de sugestões culturais biológicas, o professor acha que poderia haver mais lugares onde se praticasse e ensinasse ciência. Para ele, existem alguns lugares que são mal aproveitados por falta de divulgação e de interesse da população. “A ciência no Brasil é pouco estimulada”, observa.
E falando em falta de interesse, Tiago acredita que poucos jovens se interessam por ciência, seja pelo descaso do ensino público, pela falta de verba ou pelo excesso de atividades hoje em dia. “É difícil disputar o jovem com a internet, os vídeos games, os celulares e os MP3. A ciência deve ser estimulada desde cedo sem interrupções e com muito incentivo, de preferência mostrando tecnologias novas para seduzi-lo”, diz.
O professor destaca que, além de informações para o resto de sua vida, o conhecimento de ciências biológicas pode propiciar uma carreira e o desenvolvimento em áreas de ciências básicas e técnicas, como engenharia, medicina, computação, etc. “O Brasil ganharia ainda mais com o desenvolvimento de novas tecnologias e com a diminuição da criminalidade”, vai além o biólogo.
E para saber mais e aproveitar o que a cultura do “natural” tem a oferecer, Tiago indica os sites do Cempre, da revista Envolverde e do Ambiente Brasil. “Quem quiser bater um papo comigo sobre ciência e biologia pode entrar no meu blog, que fala sobre esses assuntos, é o Ambiente Urbano”, finaliza.
E aí? Pronto para conhecer mais sobre animais, corpo humano e natureza? Eu tô dentro! Instituto Butantã, aí vou eu!
terça-feira, 21 de outubro de 2008
História de São Paulo retratada em quadros
Fonte: Newsletter Viva o Centro Começa hoje a mostra Acervo BM&FBovespa, no Espaço Cultural BM&FBovespa, exposição gratuita que reúne obras feitas nos séculos 19 e 20.
A mostra reúne 28 obras de 19 artistas, que percorre a história a partir do século 19, com a apresentação de uma coleção de aquarelas do inglês Edmund Pink, que revelam a cidade de São Paulo à época da Independência. A impressão do estrangeiro, que chegou ao Brasil em 1821, pode ser apreciado em Perfil da Cidade de São Paulo, Panorama da Cidade de São Paulo e Praça da Catedral, São Paulo.
Já Anita Malfatti apresenta uma ambientação típica da escola de Paris em Interior de Mônaco e temas folclóricos, como em Batizado na Roça (foto) . O carioca Di Cavalcanti retrata, com bom humor, o samba, os pescadores, o malandro e a mulata em Mulheres.
O público poderá conferir ainda Benedito Calixto, Clovis Graciano, Francisco Rebolo, Alfredo Volpi e Ernesto de Fiori, entre outros.
Serviço
Espaço Cultural BM&FBovespa
Praça Antonio Prado, 48
Tel.: 3119-2404
Ter (21/10), das 10h às 18h. Até dia 31/10
Grátis
http://www.bmf.com.br/
Metrô São Bento
Comentário
Conhecer História por meio de obras de arte é uma experiência ótima, pois a visão traz inúmeras informações, como um livro, nos levando a relacionar o que conhecemos com aquelas imagens. Esta exposição é importante porque retrata a cidade onde vivemos, mostrando São Paulo nos séculos passados. Infelizmente, muitas pessoas acabam não tendo contato com a cultura do próprio lugar onde moram e não criam afinidades com a cidade, como se não fizessem parte dela.
Um exemplo: um amigo que morava em São Paulo mudou-se com a família para São Vicente e, em uma aula de História no Ensino Médio, o professor perguntou qual foi a primeira cidade do Brasil. O único que sabia a resposta (São Vicente) era ele: o paulistano! Isso mostra um certo distanciamento ou falta de interesse pela história da cidade por parte dos adolescentes de São Vicente.
O bacana da exposição Acervo BM&FBovespa é que ela apresenta São Paulo como importante palco de manifestações artísticas, pois foi aqui, mais especificamente no Teatro Municipal, que, em 1922, aconteceu a Semana da Arte Moderna, reunindo música, literatura e pintura em um dos mais importantes eventos culturais não só da cidade, mas também do Brasil.
E isso, com certeza, se reflete no que a cidade é hoje: referência em teatro, cinema e arte, ou seja, reduto da cultura. O que se prova com a quantidade de casas show, casas de cultura, teatros e cinemas em São Paulo.
Por isso, não perca a oportunidade de conhecer mais São Paulo e os artistas que ajudaram a fazer sua história, explicando o que ela é hoje!
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Notícia: Cegueira" nos EUA chega perto de arrecadação no Brasil

O filme "Ensaio sobre a Cegueira", de Fernando Meirelles, ficou em 12º lugar na arrecadação de bilheteria nos cinemas do mercado dos Estados Unidos e Canadá no período que vai da última sexta-feira (3) até o último domingo (5).
O longa-metragem arrecadou US$ 2 milhões (R$ 4,3 milhões). No Brasil, o filme está em sua quarta semana de exibição e arrecadou até agora R$ 4,7 milhões.
O filme tem no elenco Julianne Moore e Mark Ruffalo e abriu o último Festival de Cannes, por isso, o fim de semana de estréia foi considerado ruim pela revista americana especializada em entretenimento "The Hollywood Reporter".
Nos EUA e Canadá, o filme foi exibido em 1.690 cinemas. O longa-metragem é distribuído lá pela Miramax.
"Obviamente, nós estamos desapontados com os resultados da bilheteria", disse o executivo Daniel Battsek, da Miramax.
"Infelizmente, mesmo com a categoria do diretor e o talento envolvido, o tempo de lançamento de um projeto tão desafiador trabalhou contra nós", afirmou Battsek.
As adaptações de obras literárias para as telas do cinema estão sujeitas a críticas depreciativas. Há pessoas que acham o livro infinitamente melhor que o filme por causa dos diálogos mais densos, da descrição mais aprofundada dos ambientes e de outros fatores que são suprimidos na obra cinematográfica.
Para mim, o filme faz uma leitura realista da sociedade atual. Por um lado, os personagens são vítimas da súbita “cegueira branca” que os acomete e, por causa dela são excluídos da sociedade e enjaulados como animais.
Isso também acontece na vida real, com diversas categorias sociais consideradas “incapazes” por uma grande parcela da população como os idosos e os deficientes.
Porém se nos colocarmos na pele das personagens, veremos que são também os causadores de todo o mal, seja pela vida fácil que levam, seja por se importarem com os outros ou mesmo por quererem se dar bem, usando a deficiência para satisfazer seus desejos mais primitivos, como comer, beber e até mesmo transar.
Após assistir ao filme e ficar com a sensação de cegueira dos personagens (devido ao jogo claro-escuro, utilizado intencionalmente por Meirelles), vi o quanto as adversidades são capazes de transformar os seres humanos e fazer com que prestemos mais atenção a quem nos rodeia, cumprimentando, oferecendo ajuda, ouvindo queixas e conselhos.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O jogo da vida real nas telas do cinema
Comparando a vida com uma partida de futebol, os diretores Walter Salles e Daniela Thomas contam a história de uma mãe e seus quatro filhos homens no “Linha de Passe”, filme brasileiro concorrente à Palma de Ouro.Ao assistir à película, é impossível não reparar na atuação brilhante de todos os atores, inclusive dos coadjuvantes. Na verdade, Daniela conta que não houve figurantes. São pessoas encenando sua própria rotina, como os fiéis na igreja e os meninos que passam pelas peneiras nos clubes de futebol, tentando a riqueza e a fama dos jogadores. A família mora na Cidade Líder, bairro paulistano.
Falando dos personagens principais, é meio óbvio dizer que Sandra Corveloni (a mãe Cleuza) foi excepcional em seu papel, já que ela ganhou o Cannes de melhor atriz este ano.
Outro destaque é o pequeno Reginaldo, interpretado por Kaique de Jesus Santos, que tenta descobrir quem é o pai e passa o dia circulando pelos ônibus da cidade. Ele é tão natural, que em algumas cenas parece estar improvisando, como na hilária parte em que diz ao irmão Dario para pedir desculpas a ele, não sem ouvir as reclamações daquele, que enquanto xinga é interrompido pelo mais novo: “ó, não estou ouvindo as desculpas!”, e fala com a mão na orelha.
Aliás, Dario é interpretado por Vinicius de Oliveira, que ficou famoso no papel de Josué em “Central do Brasil” (lembra, aquele menino que perdeu a mãe e teve a ajuda da personagem de Fernanda Montenegro?), também de Salles. Desta vez, ele faz um adolescente que pretende ser jogador de futebol, mas já fez 18 anos e ainda não conseguiu, apesar de participar de várias peneiras e jogar bem. Seu problema, no começo, era ser “fominha”.
Outro filho de Cleuza é Dinho (José Geraldo Rodrigues), um frentista evangélico que esconde um passado podre não revelado. Por fim, tem o Dênis (João Baldasserini), motoboy que sustenta o filho (ou, melhor, tenta) e é pressionado pela mãe da criança para pagar a pensão, mas vive na pindaíba.
Os três filhos que têm o nome começado pela letra “D” são de um pai – e não se sabe o que aconteceu com ele –, já Reginaldo é de outro, um negro “carvão”, como ele pensa que deve ser por causa da cor de sua pele, já que a mãe é branca. E ela, a mãe, já está grávida, mas não sabe, ou não revela, quem é pai. Cleuza é corinthiana roxa, trabalha como doméstica e fica o dia todo fora.
São essas as personagens, que encenam alguns trechos baseados em histórias reais. Os personagens jogam com a vida, passando a bola um para o outro, se ajudando ou se criticando, como uma família é, independente de classe social. Sai briga? Claro! Defendem-se? Também! Ajudam? Sim!
Mas não é fácil... cena comum no longa é a de Cleuza tentando desentupir a pia da cozinha, mais de uma vez. É, minha amiga, a vida não flui... a água não desce, parece que não anda... Quem nunca se sentiu assim? “Não tem um homem nessa casa para desentupir essa pia??”. A gente apela e pede ajuda. A vida está tão complicada para Cleuza para até o Corinthians está na 2ª Divisão do Campeonato Brasileiro, para alegria da torcida anticorinthiana. É para não esquecer esse momento real.
Apesar da pobreza retratada, os diretores tiveram o cuidado de mostrar que não existe só bandido na periferia. As pessoas têm sonhos e fazem de tudo por eles. A tentação existe, mas o mundo não é separado entre bom e maus, com cada um num espaço territorial demarcado.
Algumas pessoas podem achar a cena de sexo, o excesso de palavrões e o sangue de um motoqueiro acidentado na rua um exagero, mas faz parte. Fazem parte da vida esses momentos. E a forma tão natural com que foram apresentados no filme não torna estes retratos extravagantes, mas sim parte de uma composição perfeita, mostrando a vida como ela é. Não só a sofrida – pelo amor de deus –, mas a real. Quem não almeja, quem não tem raiva, quem não tem idéias idiotas, quem não quer ser feliz? Com “Linha de passe”, Salles e Daniela fizeram uma crônica urbana.
E essa crônica não tem fim, é cíclica, é ativa e reativa. O clímax vem para todos os personagens ao mesmo tempo, no final do filme, mas eles estão sozinhos com suas decisões. Cada um enfrentando o que pode e o que não pode por suas próprias pernas, defendendo valores sociais como posição profissional e caráter. É a livre escolha, é a que leva os personagens não a um final fechado, mas a novas oportunidades na vida, conseqüência do que se escolheu seguir.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Nossos vizinhos: nosotros también tenemos calidad
Quem gosta muito de cinema, e assiste a muitos longas por semana, às vezes sente a necessidade de fugir das produções hollywoodianas e assistir a estilos, histórias e visões diferentes.
Talvez esse “diferente” esteja mais próximo do que se imagina, em algum país vizinho. Vamos direto ao assunto: você conhece o cinema latino-americano? Argentina, Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela também produzem filmes. E muitos são de boa qualidade. Inclusive, estes países estiveram presentes no 3ª Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que aconteceu no Memorial da América Latina, na Cinemateca, no Cinesesc e no Cinusp, de 8 a 13 de julho deste ano.
“O cinema feito na nossa região tem merecido justo destaque internacional nos anos recentes. Isto se deve à elevação do seu grau de profissionalização, à sinergia com os demais meios de comunicação e à criatividade dos temas abordados”, declara no site oficial do evento (http://www.festlatinosp.com.br/) José Serra, governador do Estado de São Paulo.
Para falar sobre o cinema latino-americano, entrevistamos dois especialistas: Marilia Franco, professora assistente doutor do Departamento de Cinema Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da USP – que também foi diretora docente da Escuela Internacional de Cine y TV em Cuba –, e o cinéfilo Ravi Santana, jornalista do Guia da Semana.
Características
Vamos começar pelas características cinematográficas latino-americanas. Marilia explica que estes países têm culturas muito específicas e muito fortes, sobretudo aqueles em que as culturas indígenas ainda têm peso muito grande. “Essas particularidades ficam bastante evidentes nas cinematografias, embora haja um tema comum que é o subdesenvolvimento e a desigualdade social”, descreve.
Já Ravi acredita que, hoje, como muitos filmes latinos não são produzidos por uma só nação, fica difícil identificar o país de produção de determinados filmes. Por exemplo, “Leonera” (2008), [veja trailer] um dos sucessos argentinos recentes, é uma co-produção com o Brasil e a Coréia do Sul.
E quanto ao tipo malandro, sensual e que tira vantagem de tudo, como os latinos são retratados em muitas produções hollywoodianas? Ah, os engajados não se preocupam com isso, diz Marilia, o calo é mais embaixo. “O chamado cinema engajado latino-americano não pretende reverter a imagem distorcida que os estereótipos do cinema norte-americano criaram, mas sim produzir um cinema que afirme a situação de subdesenvolvimento como conseqüência da ocupação político-econômico-ideológica do continente para servir aos interesses norte-americanos”.
Em tempos mais contemporâneos – continua a professora –, as cinematografias latino-americanas estão mais afirmativas de seus próprios valores nacionais como forma de consolidar um espaço cultural e artístico próprio que preencha os vazios deixados pela superficialidade, violência e banalidade das produções norte-americanas. Em outras palavras, um tapa na cara dos hollywoodianos.
Para Ravi, o cinema, antes de tudo, é um espelho da sociedade. “Essa visão dos estadunidenses ainda existe, mas não é mais tão comum como há vinte ou trinta anos. Isto deve representar não uma preocupação maior dos produtores de Hollywood, mas um conhecimento mais aprofundado do americano médio sobre os povos que vivem ao seu redor”, diz.
Concordando com a professora, o jornalista não acredita que exista dentro da classe cinematográfica alguém que tenha em mente passar ao mundo uma imagem mais realista de quem é o povo latino-americano. “Acredito que quando alguém faz um filme, ele pensa antes de tudo em tirar um retrato do que representa para ele a sociedade. Sempre vai haver preconceito, mas se alguém realizar um filme querendo desfazer estes preconceitos, ninguém vai se interessar pela obra”, analisa.
Ditadura
Agora, uma pergunta que pode estar na cabeça de muitos: por que o cinema latino-americano aborda tanto a ditadura vivida por estes países? Por exemplo, o chileno “Machuca” (2004), o argentino “A história oficial” (1985) e o brasileiro “O que é isso companheiro?” (1997).
De acordo com Marilia, este tema é freqüente porque a América Latina viveu um circuito de ditaduras militares muito duras ao longo de todo o século XX. Essas ditaduras, sustentadas por interesses político-econômicos da guerra fria, comandada pelos EUA, cerceavam fortemente as atividades culturais e artísticas, que sempre foram mais críticas e libertárias. O cinema foi uma das atividades criativas mais atingidas por essas situações, observa a professora.
Contando sua experiência, Ravi diz que uma vez entrevistou o diretor Helvécio Ratton sobre o filme brasileiro “Batismo de Sangue" (2007), [leia crítica] e o questionou a respeito de haver tantos filmes ultimamente sobre a ditadura aqui no Brasil – resposta que pode enquadrar também nos demais países. “Ele disse que a maioria dos cineastas que foram de alguma forma envolvidos com o Regime Militar e que tiveram suas vidas afetadas pela ditadura hoje tem a maturidade e um distanciamento adequado para poder falar sobre isso, então eles querem aproveitar este momento para expurgar esses sentimentos”, declara, comparando com o fato de ter havido vários filmes estadunidenses sobre a Guerra do Vietnã, algum tempo atrás.
Poder norte-americano
Sobre a dificuldade de os filmes latino-americanos entrarem no nosso mercado, apesar da grande produção cultural, Marilia aponta o poder norte-americano. Ela explica que o cinema norte-americano ocupou as telas latino-americanas a partir da década de 1920, no seu primeiro movimento expansionista. Ocupou telas inclusive em países que mal começavam a produzir suas próprias imagens. “Desde então, a base do desenvolvimento cinematográfico, que é o tripé formado por produção/distribuição/exibição, ficou fracionado, e os países latino-americanos nunca puderam superar esse rompimento, pelos mesmos motivos da ocupação política que acabou por fomentar e sustentar as várias formas de ditadura que se distribuíram pelo continente”, diz.
Ravi concorda. Para ele, o mercado é quase todo dominado pela indústria dos EUA, e o que não é, tem de ser dividido entre cinema oriental, europeu, latino-americano e nacional, sobrando pouco espaço para cada um deles. Além disso, analisa a falta de infra-estrutura no Brasil. “O grande problema do mercado exibidor no país é que ele quase não existe. Há diversas opções em grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas a maioria dos municípios sequer tem uma sala”, ressalta.
Argentinos x brasileiros
E a briga entre argentinos e brasileiros, tão típica do futebol, também existe no cinema? Quer dizer, os filmes de “nuestros hermanos” são mais valorizados que os nossos por aí? Não para Marilia e Ravi.
Segundo a professora, o que existe no Brasil é uma recepção favorável ao cinema argentino, “sobretudo entre alguns críticos e intelectuais que vêem um maior engajamento político e uma maior ousadia estética nos filmes argentinos”.
Já o jornalista defende nosso país destacando que temos hoje diretores de bastante respeito no mundo todo, principalmente Fernando Meirelles e Walter Salles, mas não só eles. E toca em um ponto polêmico: “a questão do cinema argentino é que há um valor maior para ele, talvez, em seu próprio país, o que pouco acontece aqui. Questões culturais acabaram fazendo com que o cinema nacional fosse algo desprezado pela população brasileira, e esta é a maior dificuldade em se ter sucesso com um filme aqui”. Hum... quantos filmes brasileiros você já assistiu?
Para melhorar
Está ruim? Está bom? Pode melhorar? O que falta para o maior desenvolvimento do cinema em países latino-americanos e o que falta para sua maior divulgação?
“Falta exatamente a religação do circuito criativo do fazer cinematográfico, pois sendo o cinema uma atividade cara, que primeiro produz para depois reaver o capital investido, jamais será possível desenvolver a atividade se os filmes produzidos não tiverem telas para chegarem ao público”, declara Marilia, acrescentando que essas telas jamais estarão disponíveis se a distribuição e a exibição continuarem nas mãos da indústria norte-americana.
Ravi também acha isso. “Não sei como estão os demais países, mas sei que ao menos Brasil e Argentina tem uma grande facilidade em produzir, mas não é tão simples mostrar o que foi feito, principalmente aqui”, opina. Para ele, é preciso que haja um movimento para incentivar o acesso aos filmes, seja em projetos como o Cine Tela Brasil, da Lais Bodansky e do Luiz Bolognese, seja de outra forma. “Mas o povo dificilmente vai pagar R$ 20 para ver algo em que ele não tem confiança. Talvez não pague nem mesmo se gostar de filme nacional. Além disso, a divulgação dos filmes é bastante falha. Em um filme de Hollywood há uma preocupação desde o começo em registrar fotos de produção, disponibilizar entrevistas, material para a imprensa, coisa que nos filmes brasileiros pouco acontece. Assim a imprensa acaba se cansando e deixa de divulgar obras que são muito boas”, finaliza.
Dicas de filmes latino-americanos (Top 3)
“O Banheiro do Papa", 2007 – Brasil, Uruguai e França
Direção: César Charlone e Enrique Fernández [visite o site do filme]
"Morango e Chocolate", 1994 – Cuba, México e Espanha
Direção: Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío [leia análise ]
“Nove Rainhas", 2000 – Argentina
Direção: Fabián Bielinsky [visite site com a sinopse do filme]
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Orkut também é cultura
Não só para saber da vida alheia e reencontrar conhecidos de longa data serve o site de relacionamentos Orkut. Até jornalistas e departamentos de RH de empresas têm usado o espaço para obter “mais informações” sobre algo ou alguém. Ou seja, o Orkut pode ser fonte de informação, e boa informação.As comunidades são ótimos locais para conhecer pessoas que sabem o que falam sobre determinado assunto, o negócio é garimpar, porque também têm aquelas que nem português sabem escrever...
Algumas comunidades podem até ter um tema bacana, mas quando você entra, a última postagem nos tópicos é bem antiga ou, ainda, só tem spam, o que indica a falta de um moderador ativo. Aí não dá. E aquelas que só têm joguinhos, tipo: “qual foto da pessoa acima é a mais bonita”, “que música você dedica para a pessoa de cima”... me poupe.
Mas há comunidade que oferecem informações úteis, como a “São Paulo Cultural”, que toda hora ganha uma nova resposta a algum tópico. Nela você pode encontrar dicas de filmes, exposições, peças ou musicais, e, de quebra, pode conhecer muita gente legal que tope fazer esses programas com você. Eles estão tentando organizar um encontro cultural para reunir pessoas da comu em algum local. Fique de olho.
Na área de eventos também estão listadas atrações para não se perder nada de bom que tem em São Paulo, desde as mais caras até as gratuitas, em todos os cantos da cidade. Até curso e lançamentos de livros estão por lá.
E tem outra. A comu “Centro Cultural São Paulo” também é legal. Eles dão dicas do que gostam mais no local e das coisas que irritam, como as conversas na biblioteca... ou seja, vá preparado! Apesar de ser uma comunidade sobre o Centro Cultural, as pessoas abrem tópicos muito pertinentes sobre política, é um bom local para discussão.
Ah! Abriram um sobre um projeto muito legal que eu não conhecia. Você sabia que livros são perdidos de propósito por aí? A intenção é as pessoas lerem livros e depois os deixarem perdidos para outra pessoa achar, ler e perder de novo. Em algum lugar do livro tem um site e um código para você saber onde anda o livro que você perdeu ou por onde já passou o livro que você achou. O site citado no tópico “Eu achei um livro” é o http://www.livr.us/. Nele está escrito: “’Perca um Livro’ é uma iniciativa que pretende trazer para o Brasil uma prática internacional de incentivo à leitura. A idéia é ‘perder’ um livro em lugar público para ser achado e lido por outras pessoas que, então, farão o mesmo. O objetivo é fazer do mundo inteiro uma livraria”. Bacana, né? No site tem mais informações.
Viu? Orkut não é só besteira, não. Apesar de ser usado para tantas bobagens...
terça-feira, 16 de setembro de 2008
O poder da música
“Eu só quero é ser feliz, viver tranqüilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar”. Esses e outros funks estão no documentário “Sou feia mas tô na moda” (2005), de Denise Garcia, gravado nas favelas do Rio de Janeiro.
O filme mostra o preconceito sofrido por quem vive na favela, principalmente as mulheres, sempre mal vistas. Para estas pessoas, que não conseguem emprego e são tachadas de bandidas, o funk é a voz da comunidade, é o meio por onde podem contar o que vivem diariamente, os problemas que sofrem e as dificuldades que passam.
Os funkeiros entrevistados no documentário dizem que é mais fácil o poder público calar a boca deles do que “arrumar” a situação de exclusão que vivem. Isso devido à proibição de algumas canções e da perseguição da polícia nos bailes. Algumas letras falam sobre o Comando Vermelho e outras facções criminosas, mas são eles que estão do lado da comunidade quando ela precisa, enquanto as autoridades não fazem nada por eles.
“Sou feia mas tô na moda”, nome de uma música da funkeira Tati Quebra-Barraco, quer dizer que com o sucesso do funk, as mulheres, feias ou bonitas, tiveram a oportunidade de se mostrarem para o mundo, expressando pela dança a cultura da comunidade. É a chance de serem famosas e de se tornarem referência para as mulheres da região onde vivem. O funk, para elas, é uma manifestação importante que as torna aceitas.
Para quem não curte o som, independente do motivo, o documentário abusa dos pancadões: é “Eguinha Pocotó” e “Frango Assado” nas orelhas, penetrando na alma. Não se pode dizer que não gostar de funk é ser preconceituoso, afinal, gosto não se discute. O problema é que algumas pessoas que ouvem esse tipo de som fazem questão de mostrar para quem está em volta que ele é “mano”, que é da favela. Quantas vezes não tive de fazer uma viagem de ônibus ou metrô ouvindo funk de um MP3 alheio? O pior é que ele fica na cabeça por um bom tempo...
Mas, quem gosta desse som não é só quem vive nas favelas. O documentário mostra o sucesso do DJ Marlboro na França, Inglaterra e Eslovênia, arrebentando nas boates. Os gringos curtem muito a batida e a associam com as músicas eletrônicas do país deles.
No Brasil, de fato, há preconceito contra a chamada “música de bandido” e “música de favelado”, mas o rap também passa pelo mesmo estereótipo. Gostos diferentes? Pode ser. Preconceito? Talvez. Ignorância? Sim. Quem tem o direito de dizer o que é bom ou ruim?
Em uma sociedade que tem desigualdades sociais tão gritantes, é natural cada um defender o que retrata a sua realidade e tem a ver com suas influências. Melhor? Pior? É música. Quem critica também leva em consideração o enorme apelo sexual das letras de funk, como “tira onda pra elas é viver de sacanagem / os gatinhos até gosta / mas tu sabe como é / se eles pagam motel / elas faz o que eles quer”, da música “Discurti”, de Deize Tigrona. Mas esse apelo também é encontrado em outros gêneros musicais, como axé e algumas músicas americanas que você pode ouvir e não entender, como algumas da Britney Spears.
O que a música tem de especial é a forma como ela toca a pessoa que ouve. É mais do que uma letra bonita ou bem feita. O importante é o que ela faz você sentir.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
A São Paulo e os motoboys
É para deixar pensativa a pessoa que assistiu ao documentário brasileiro “Motoboys – vida loca” (2003). O diretor, Caíto Ortiz, por meio de entrevistas com motoboys, motoristas de carros, autoridades, urbanistas, até a então prefeita, Marta Suplicy, e muitas outras figuras paulistanas, deixa a discussão no ar para você decidir: motoboys são mocinhos ou bandidos?Uns defendem que a culpada é a cidade, que vive numa pressa constante e exige esforços sobre-humanos para dar conta do que precisa ser feito. É até engraçado, a cidade que mais precisa de agilidade é a mais lenta...
Outros acreditam que os motoboys são os monstros de São Paulo, agredindo carros e exigindo espaço por onde passam, sempre mal-educados. Se eles têm pressa, todos têm! Afinal, quem consegue dirigir na cidade que não anda?
E você vê a família daqueles que não têm opção de emprego, nem estudo, e precisam ser motoboys. E você vê a revolta da jovem motorista de carro que ganhou um “chute” na janela do veículo e volta chorando para a casa. E aí? De que lado ficar?
Uma mulher resolve se tornar motogirl para fugir do peso da morte do filho, "eu não tenho mais nada a perder". Aquele outro motoboy só fica em cima da “motoca”, fazendo trabalhos noite e dia. O outro só trabalha em razão da família. São pessoas como quaisquer outras que ganham a vida nesta louca metrópole. Aliás, “vida loca” é a de quem vive em São Paulo. Nunca se tem tempo para fazer o que quer. Nunca há tempo para cumprimentar os outros. Sempre se corre e nunca se alcança. Quem é louco?
O filme mostra as duas faces da moeda e deixa você com seus pensamentos. Como parece difícil escolher um lado, talvez o mais sensato seja respeitar as pessoas, ver onde você está errando e no que pode melhorar. Ninguém muda ninguém. A cidade é feita de gente, e é a gente que precisa mudar.
Documentário: Motoboys – vida loca
Ano: 2003
Diretor: Caíto Ortiz
Roteirista: Giuliano Cedroni
Elenco: Paulo Mendes da Rocha, Marta Suplicy, Washington Olivetto, Gilberto Dimenstein, Serginho Groisman, Carlos Zaratini, Roberto Scaringela, J.R.Duran, Rafic Farah, Jacob Pinheiro Goldberg, Xis.
Estúdio: Prodigo Films/Estúdios Mega
PS: E na hora de pedir uma pizza para acompanhar o documentário, não se esqueça de valorizar o motoboy que a entregou! E você, motoboy que entrega pizza, não se esqueça da educação!
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Citação do dia
[Dicas de sites bacanas] Viva o cinema!!
O blog Cinema com Rapadura é uma ótima opção para quem quer saber tudo o que está por vir (e o que já veio) nas telas do cinema. Os textos são detalhados ("Sobre o orçamento dilatado do projeto, com os dois filmes que o compõem tendo custado, ao todo, US$ 65 milhões, nenhuma distribuidora queria pegar o projeto") e abordam, também, o cinema latinoamericano (veja post do Che Guevara: o argentino). O blog é atualizado por diferentes pessoas, com um português impecável.Uma das preocupações é com a participação do público, tanto que o site tem um top 10 leitores, com nomes e números. Pra falar a verdade, não explica o que são esses números, se são quantidade de cliques, comentários... sei lá.
Tem também várias seções, que rendem um bom tempo de distração. Uma delas, a "Abrindo a embalagem" traz novidades em DVD, com avaliação da embalagem, do vídeo, do som e dos extras, atribuindo notas. Traz, ainda, um link para quem quiser comprar o DVD.
Outra seção bem legal é a "Qual é a cena?": "colocaremos imagens marcantes e vocês terão que adivinhar qual é o nome do filme e descrever a cena. Porém, o leitor que MELHOR descrevê-la, terá seu comentário juntamente com seu nome e sua cidade inseridos aqui na matéria, logo abaixo da imagem correspondente ao filme." Tem até o grau de dificuldade em cada imagem! Além de um link "saiba mais sobre o filme".
Bacanas também são as seções "Hot - Homens" e "Hot - Mulheres", com destaques de artistas "quentes" da mídia em lindas, e muitas, fotos, com descrição e filmes que estrelaram, como JLo, Beyoncé, Angelina Jolie, Jessica Alba, Johnny Depp, Russel Crowe, Rodrigo Santoro, Gael García Bernal e muitos outros. Colírios...
Já a seção "Repórter Hollywood" mostra entrevistas com artistas hollywoodianos e novidades da Meca do cinema mundial, escritas pelo jornalista Jânio Nazareth.
E para quem curte trailers, as maiores e melhores novidades estão nesta seção. Você sabia que vazou o trailer exibido na Comic-Con 2008 do filme X-MEN ORIGINS: WOLVERINE? Então veja.
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[Dicas de sites bacanas] Ah, se eu tivesse uma moto-serra
Divertido, inteligente, desbocado e muito criativo é o blog do Louco da Motosserra. "Louco, ansioso, hétero e gosta de gelatina light" é a descrição do blogger: Roger. Os textos trazem situações inusitadas de sua vida e de alguns amigos ("As pessoas freqüentemente me perguntam qual seria o motivo de eu ser louco. As pessoas as quais eu convivo e convivi que me deixaram assim"), dicas de como infernizar os colegas de trabalho ("Nada mais gostoso que deixar seus coleguinhas de trabalho de cabelo em pé e querendo matar um. As mulheres sempre estorvam mais rápido. Eu venho me especializando nessa arte há muitos anos e com essas dicas, você também poderá infernizar a galera aí do seu escritório. É essencial ter mais um doente mental como você pra fazer essas insanidades"), críticas a algumas manias sociais ("Se tem uma coisa (mais uma, aliás) que me irrita profundamente é quando até um belo dia ninguém usava uma palavra pra se expressar e depois dali TUDO que é dito vira escravo dessa palavra"...), sugestão de vídeos (como o "Curumim", de Mara Maravilha) e muito mais, com uma visão um tanto despudorada ("PUTAQUEOPARIU.... BERGAMOTA É MEXIRICA?") e muito criativa ("Quantos dentes caninos tem um cachorro? Gato tem dente canino?") , que proporciona uma leitura rápida e agradável ("Eu sempre achei uma merda todas as propagandas da Wizard que envolvem o Jota Quest cantando em português e falando "Vá pra Wizard". O que tem a ver? O que os caras do Jota Quest sabem de inglês?"), quando não muitas risadas ("Um belo dia ele resolveu pular do telhado com um guarda-chuva e o fez. Se quebrou todo quando chegou ao chão porque misteriosamente o guarda-chuva não tinha amortecido sua queda. Mas o mais bacana foi quando ele cismou de beijar o freezer da geladeira e grudou a boca lá.").Roger é web designer de uma grande editora, e acaba utilizando muitos recursos em seu blog, como músicas, vídeos e links. Ele recebe muitos comentários de seus posts. Vale a pena conhecer!
O blog proporciona diversão e leva as pessoas a outros links, para acabar descobrindo outras coisas divertidas na net. Cultura internética!
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Citação do dia
Theodor Adorno: filósofo, sociólogo, musicologista e compositor.
Você tem esperança?
Chega desses filmes de terror apelativo como "O chamado" e "O grito". O horror está em algo mais real e possível: o futuro da humanidade. É disso que trata o filme Filhos da esperança, do mexicano Alfonso Cuarón.O ano é 2027, quando acaba de morrer a pessoa mais nova do mundo: 18 anos. Isso porque, por volta de 2009, aconteceram vários abortos espontâneos e a humanidade se tornou infértil. Enquanto isso, ocorrem conflitos entre ingleses e imigrantes, lembrando os tempos do Hitler e dos campos de concentração. Mas, no meio disso tudo surge uma esperança: uma imigrante está grávida.
Produzindo cenas muito bem feitas e com mínimos cortes de filmagem, Cuarón mostra um triste futuro cuja solução parece estar em um pequeno bebê. O filme está cheio de simbologias, como a importância dada aos pés de Theo, interpretado por Clive Owen. A mãe é negra. O bebê é menina. A trilha sonora é o rock dos anos 70. O barco de resgate chama-se "Amanhã", entre outros detalhes. É um filme para vibrar, sorrir, torcer, chorar e pensar no que estamos plantando hoje para colhermos amanhã: um clichê que o filme faz pensar. Além disso, serve de aviso para aqueles países, como os Estados Unidos, que declararam, praticamente, uma guerra contra os imigrantes, proibindo-os de morarem e ganharem a vida no país.
Nosso futuro será um mundo de guerra e sem crianças? Veja o filme e tire suas conclusões. Ainda há esperança?
Ficha técnica
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Arte em Flash
Idealizado por fotógrafos a pedido do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o livro, “A Arte do Artesanato Brasileiro”, retrata as obras artesanais de cada estado brasileiro através de fotografias acompanhadas por textos sucintos, o que proporciona a ele leveza e originalidade.Na introdução de cada localidade, são ressaltadas características como pratos típicos, belezas naturais, festas regionais, marcas da colonização, etc. Essa contextualização facilita a compreensão do leitor sobre o porquê da escolha dos motivos artísticos ilustrados nas peças de cada Estado.Desvenda também a relação entre o artesanato e os recursos naturais (ou não) usados na confecção dos objetos. No Acre, por exemplo, o recurso natural mais utilizado na produção artesanal é a borracha, pois o Estado abriga a maior parte da Floresta Amazônica. Já em São Paulo, a influência de elementos urbanos mistura-se a das colônias de imigrantes. Esse mix de fatores, faz do artesanato local um dos mais ricos do Brasil.A obra é também um excelente guia tanto para o profissional da área, quanto para quem curte essa arte, pois contêm o contato (e-mail, telefone e fax) de cada uma das Superintendências Regionais do Trabalho Artesanal, órgãos estaduais que supervisionam, protegem e divulgam, inclusive internacionalmente, o trabalho e os direitos do artesão brasileiro.No entanto, nessa parte do livro, palavras como Superintendência, e nomes de Estados como Paraná e Goiás, são escritos sem acento agudo. A edição deve ser mais cautelosa e cuidar para que, diante dos olhos atentos das comunidades estrangeiras, (público-alvo desta obra), não desvalorizemos nosso bem mais precioso: a Língua Portuguesa.Enfim, não é um passo a passo didático do artesanato, como as tradicionais revistas do estilo “faça você mesmo”, nem um blá-blá-blá puramente sócio-econômico dessa arte, daqueles que fariam até o economista mais experiente dormir, sem precisar contar carneirinhos ou ingerir uma cartela de tranqüilizantes.É uma “aula” de cultura que nos ensina a valorizar nossas raízes, nosso país e o trabalho do artesão, que tem nas mãos e em simples ferramentas, o poder de transformar em arte o que, para muitos, é apenas sucata ou simples restos da natureza.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Machado de Assis no Museu da Língua Portuguesa
(Fonte: EDUARDO SIMÕES, da Folha de S. Paulo)Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento, no Rio. Mulato, canhoto, passou a infância como agregado de uma família mais abastada, experiência que ecoou posteriormente em sua obra. Intelectual autodidata, teve ascensão social e entrou para o cânone da literatura.
Cem anos após sua morte, o Museu da Língua Portuguesa de SP o homenageia com uma exposição que vai até 26 de outubro e que tenta, em certa medida, "descanonizá-lo".
"A idéia é o que o visitante seja um leitor da obra de Machado. Queremos "desmedalhonizar" Machado", diz Cacá Machado, que divide a curadoria com Vadim Nikitin e teve consultoria de José Miguel Wisnik.
Dividida em 11 capítulos, a mostra sobre Machado de Assis reúne sala de música do século 19, análise crítica, manuscritos e livros.
Terminado o percurso da exposição, o museu abriga o "Largo do Machado", com 400 livros que o público pode ler em poltronas. Bem no clima de visitante-leitor proposto.
Eu ainda não fui ver, mas Machado de Assis sempre vale a pena. Em "Memórias Póstumas de Brás Cubas", por exemplo, o humor negro já começa com a dedicatória aos vermes que comeram seu corpo. A narrativa segue em tom de conversa com o leitor, tornando a leitura deliciosa.
Já em "Dom Casmurro", não há como não se atrair pelos "olhos de ressaca" de Capitu, mesmo sem conhecê-la de fato. Isso para citar as obras mais conhecidas.
Machado de Assis também escreveu contos, muito bons, como "A cartomante", que parece uma novela, com um final surpreendente.
Não podemos perder!
Serviço
Ingresso: R$ 4. Estudantes com carteirinha pagam meia-entrada. Professores da rede pública com holerite e RG, crianças até 10 anos e adultos a partir de 60 anos não pagam ingresso. Não há venda antecipada de ingresso. Aos sábados, a visitação ao museu é gratuita.
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h às 17h. Museu: de terça a domingo, das 10h às 18h - não abre às segundas-feiras.
Endereço: Praça da Luz, s/nº, Centro - São Paulo – SP
Informações: Tel.: (11) 3326-0775 - E-mail: museu@museudalinguaportuguesa.org.br
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Início em boa data
Cultura na periferia
Do que a turma mais gosta é da aula de hip-hop, que atrai muitos jovens da região. Em uma das vezes que estive lá, vi o entusiasmo dos garotos fazendo os passos a alto som nas caixas. Inclusive, o filho da Léa - nossa amiga do blog concorrente Cult! - se aventurou com seus cinco anos a girar o corpo com a cabeça no chão!
Também há exposições de grafite, que dão cara ao centro.
De acordo com o site do CCJ, um dos objetivos do local é disponibilizar serviços, produtos, atividades, projetos, livros, CDs, DVDs, fotos, etc. e, ao mesmo tempo, ser um espaço de escuta das necessidades e opiniões dos jovens.
E, para quem gosta de ler em um lugar sossegado, é possível encontrar muitos títulos interessantes na biblioteca, como as revistas "Caros Amigos" e "Piauí", além de gibis do cartunista Laerte, como "O Condomínio", "O gato e a gata" e "Piratas do Tietê".
Destaque para a simpatia dos atendentes, inclusive dos coordenadores.
É conhecer e querer ir sempre. Detalhe importante: todos os projetos e eventos são gratuitos.
Localização: Av. Deputado Emílio Carlos, nº 3.641. - Vila Nova Cachoeirinha (próximo ao termonal de ônibus Cachoeirinha)
Funcionamento: das 10h às 20h durante a semana. Até 18h aos sábados e domingos.
Começando...
É isso, estamos estreando nosso blog!!


